sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Minha Primeira Noite Na Selva.

O dia em que eu fui parar no meio da mata sem saber como.


Hoje vou contar a vocês mais uma de minhas aventuras, de quando eu era mais jovem. 

Tudo começou quando eu resolvi sair para dar uma volta pela cidade, como na maioria das vezes, eu sempre saiu sozinho. Andando pelo centro, parei em uma lanchonete onde havia 2 caras jogando bilhar. Me sentei em uma mesa e pedi uma cerveja, fique observando o jogo. Depois de alguns minutos mais 1 amigo deles chegou, e então me convidaram para jogar em duplas. Me juntei a eles e começamos a jogar. Jogamos por umas 2 horas, então sai para andar pela cidade novamente e parei em uma outra lanchonete. Me sentei, e pedi uma cerveja e um salgado como de costume. 
Nessa lanchonete havia um grupo de pessoas, entre elas alguns homo sexuais, outras lésbicas, e alguns héteros. Puxamos papo e ficamos la nos divertindo, bebendo, e conversando. Foi então que um deles sugeriu que fossemos a uma baladinha que estava rolando em um lugar próximo dali. Chegamos lá, nos enturmamos e dançamos muito. Mas em um determinado momento o dono do lugar nos abordou, ele disse " Por favor vocês podem se retirar "? Eu questionei o porque ele estava pedindo a nossa saída, e na maior cara de pal o cara me disse que era porque ele não aceitava "bichas" lá, e que os clientes estavam incomodados. Eu fiquei puto da cara, e quase sai na porrada com o cara, mas as pessoas que estavam comigo não deixaram e, disseram " Deixa pra lá, vamos embora daqui ". 
Saímos daquele lugar e então eu tive uma ideia, falei pro pessoal "vamos para serra", todo mundo achou aquela ideia muito doida, e ninguém quis ir. Eu já estava meio bêbado e disse "beleza, vou sozinho", e realmente fui. 
Eu só me lembro de estar indo pra lá. Do nada me deu um apagão, eu acho que foi por causa da bebida. Só sei que eu acordei no meio da serra, a noite, e sem ninguém por perto. Eu estava um pouco desorientado, talvez tenha tomado alguma bebida com algo a mais, sei la rssrsrs. 
Estava muito frio, e o lugar onde eu estava era um declive de mais ou menos uns 45 a 50 graus, uma montanha praticamente. Eu acordei do lado de uma pedra, e logo a frente havia outra pedra maior. Do nada eu ouvi um barulho no mato, era algum animal vindo em minha direção. Pelo movimento rápido e pausado, parecia ser uma cobra, ou um felino se aproximando, como se estivesse se preparando para o ataque. Então eu subi nessa pedra menor e, minha única opção era ficar ali naquela pedra e encarar o que estava vindo sem nada para me defender, ou pular para a outra pedra que tinha a frente. Então acabei tomando coragem e pulando para a outra pedra, se eu cai-se entre elas, com certeza iria fraturar algum membro, mas eu não estava muito afim de virar o jantar de ninguém. Fiquei naquela pedra até amanhecer e não dormi praticamente nada, eu estava em alerta total, com medo que aquilo que estava ali no mato conseguisse chegar até mim. O frio era intenso, o vento batia e parecia que me  congelava até os ossos. Eu coloquei meu braços para dentro da camisa, e cobri meu rosto até o nariz, esperando ansioso para o dia amanhecer. 
Logo o sol nasceu, e então dei uma boa olhada a minha volta e percebi um condomínio de casas a uns 5 km de onde eu estava. Então pulei de volta a outra pedra, dei uma boa olhada em volta, marquei a direção do condomínio e comecei a caminhar na direção marcada. O caminho era difícil, haviam muitas rochas, e muito mato. Mas ao mesmo tempo que era difícil caminhar por ali, também era muito bonito.O formato das rochas, algumas enormes, as arvores, era realmente muito lindo. Após caminhar por cerca de 1 hora na mata, encontrei uma rua de terra, então comecei a segui-la em direção ao condomínio. Eu estava com MUITA sede e tinha avistado um pequeno lago. A água não parecia estar muito limpa, havia gado bebendo daquela água, mas a sede era tanta que eu não resisti e acabei bebendo um pouco. Não recomendo ninguém a fazer isso em uma situação de sobrevivência, pois beber água assim sem purificar ou ferver, pode te levar a desidratar ainda mais, e causar diarreia, entre outras coisas. Eu tomei porque sabia que estava próximo da civilização, e precisava caminhar muito ainda. 
Depois de muito andar, cheguei ao condomínio. Passei por uma porteira de madeira e fui em direção a guarita, onde tinha um porteiro. Quando cheguei lá e falei com ele, ele me olhou com uma cara de assustado e me perguntou "de onde você veio, cara?!" eu respondi a ele que havia passado a noite na serra, e pedi um pouco de água. Ele com uma cara de espanto, me deu água e então perguntei onde eu poderia pegar um ônibus para ir para casa. Ele me disse que ali mesmo no condomínio passava, era só eu esperar no ponto. Então fiquei lá esperando no ponto por cerva de 40 minutos até que o ônibus chegou. 

Moral da história? Não bebam alem da conta, rsrsrsrs. E não sejam loucos como eu fui. 
Apesar de que eu era apenas um moleque de 18 anos, mas não me arrependo da experiência. Na verdade isso me despertou um interesse enorme por sobrevivência na selva, e se hoje eu estivesse naquela mesma situação, talvez eu tivesse feito daquele bicho que até hoje não sei o que era, o meu jantar. E tive muita sorte, em não ter pego nenhuma doença por ter bebido daquela água.

Espero que tenham gostado do meu relato. Minhas experiências são muitas, e quem sabe algumas delas não sirvam de aprendizado para alguém. 

É isso ai pessoal, até a próxima. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Uma experiência única.

Olá, neste post vou relatar uma experiência real, que passei em minha vida. Todos os fatos aqui descritos são verdadeiros. 


Era uma sexta comum, quando resolvi sair para tomar algumas cervejas. Até ai tudo bem, mas tudo começou quando voltei para casa.
Chegando em casa, me deparei com minha mãe me esculachando, porque eu tinha ido ao bar, etc. Bom isso já é um histórico longo que pretendo contar em outra oportunidade. O fato é que depois daquilo eu resolvi ir embora, já estava com essa ideia na cabeça a muito tempo. Foi então que me deu aquele estalo e comecei a arrumar minhas coisas, coloquei tudo na minha mochila. As 20 horas eu sai de casa levando apenas 1 monitor do meu computador, para posteriormente vender em qualquer lugar, e conseguir algum dinheiro. 
Peguei o ônibus, fui até a estação de trem e fui para a estação da luz. Chegando lá, não tinha mais metrô, pois já tinham parado de funcionar. Me ajeitei em um canto da rodoviária e dormi. Para minha surpresa, quando acordei meu monitor tinha sido roubado enquanto eu dormia, minha sorte é que dormi com a mochila nas costas, por isso não a perdi. 
Após a volta do funcionamento do metrô, fui até a estação Guanabara, e então sai para a rua. Meu objetivo era chegar em Santos, mas eu estava sem dinheiro. Então eu vi alguns moradores de rua, e me sentei ao lado deles para descansar. Para minha surpresa, eles puxaram papo comigo, e eu expliquei minha situação a eles. Após alguns minutos de conversa, um deles me ofereceu o pouco que tinha, e todos nós que estávamos ali compartilhamos aquele alimento. Eu fiquei extremamente emocionado, pois nunca pensei que haveria tanta solidariedade entre os moradores de rua. Depois de um tempo eu resolvi andar pelas ruas, e então encontrei 3 pessoas. Eram 2 homens e uma mulher, eles estavam bebendo, e me convidaram para beber. Eu como estava abalado, resolvi beber com eles. Depois  de um tempo conversando, eu perguntei a eles como eu poderia pegar o caminho que me levaria até Santos. Eles ficaram assustados e me perguntaram se eu pretendia ir a pé até lá, eu disse que sim, e então a mulher soltou um sonoro, " Você é louco "? Eles me indicaram o caminho que eu deveria seguir, então me levantei e fui embora. Alguns minutos depois me lembrei que havia deixado minha mochila lá. Voltei correndo, mas quando cheguei lá já não tinha mais ninguém. Resumindo, eu estava sem nada. Perdi o monitor, a mochila com minhas roupas...por um momento pensei "agora já era, estou ferrado". Mas mesmo assim continuei meu caminho. Já passava das 18:00 horas. Encontrei uma lanchonete, onde parei e pedi a mulher um copo com água. Ela gentilmente me serviu, e me perguntou "você está com fome"? Eu disse que sim, que estava com muita fome e estava a caminho de Santos. Ela então me serviu 2 salgados, e me deu uma garrafa de água de 1,5 litros. Quando eu agradeci e ia indo embora, ela me deu mais 3 laranjas. Naquele momento eu me emocionei muito, não consegui segurar as lagrimas e agradeci muito a bondade daquela mulher. 
Comecei a seguir meu caminho para Santos pela rodovia dos Imigrantes. Já estava escuro, o cenário era de um filme de terror, fazia muito frio, ventava muito, e as únicas luzes que eu via, eram as dos carros passando. 
Depois de uns 30 minutos andando, eu encontrei os restos de uma obra que haviam feito na rodovia, ali eu encontrei uma manta, meio rasgada, cheia de furos, mas não me importei. Eu coloquei aquela manta e segui caminho, posso lhe dizer que ela me ajudou muito a reter o calor do meu corpo. 
Mais a frente, acho que uns 15 km adiante, encontrei uma cadela com 2 filhotes, na hora eu me assustei pois quando estava passando a cadela começou a latir freneticamente. Quando olhei bem, avistei os 2 filhotes, então eu percebi o porque da agressividade dela. 
continuei minha caminha e assim que avistei um daqueles telefones de rodovia que se pede ajuda, eu liguei para os funcionários da rodovia. Contei a eles que havia encontrado uma cadela com 2 filhotes na beira da pista, e perguntei se eles poderiam tirar eles de lá. Porque além de causar algum acidente, eles poderiam morrer atropelados.
Mais alguns kms a frente, encontrei um posto da polícia rodoviária. Foi um pouco engraçado, pois quando bati na porta, haviam 2 policias lá, 1 homem e uma mulher. Eles se assustaram ao ver um homem na porta, aquela hora da noite com uma manta e uma garrafa de água na mão. Eu pedi a eles se poderia encher minha garrafa com água, eles abriram a porta e eu enchi minha garrafa. Aproveitei e também avisei a eles sobre os cachorros que eu havia encontrado alguns quilômetros atrás. 
Seguindo viagem, eu já estava muito cansado e exausto, não me lembro quantas horas eu andei sem parar, mas foram muitas. Então eu avistei um pedágio e, quando apareci lá, as moças levaram um susto também rsrsrsrs. Então perguntei a elas, qual era a direção para Santos, pois bem ali no pedágio haviam 2 avenidas. A do pedágio, e a do outro lado. Então ela me disse que era só eu seguir em frente, agradeci e continuei meu caminho. Eu já estava cansado, e pensando em algum lugar para parar e descansar. Disse a mim mesmo que a primeira cidade que eu avistasse eu entraria e procuraria algum canto para descansar. Mais alguns quilômetros adiante, avistei uma entrada para uma cidade, eu tinha acabo de chegar em São Bernardo Dos Campos. Eu havia percorrido cerva de 40 quilômetros. Quando entrei na cidade, me dei conta de que eu estava em uma área muito longe do centro, vi que era um bairro calmo, sem movimento. Comecei a andar pelas ruas e encontrei um canto muito bom para descansar, era em uma calçada onde tinha muitos arbustos, e tinha uma entrada que parecia ter sido feita para mim rsrsrsrs. 
Fiquei ali até perceber o primeiro sinal de que já havia ônibus circulando. Procurei por um ponto de ônibus e então fiquei esperando, algumas pessoas também chegaram para esperar. Perguntei a elas qual ônibus eu deveria pegar para ir até o centro, e eles me disseram. Eu estava sem nada de dinheiro, então quando o ônibus chegou, pedi ao motorista uma carona, ele por sua vez, muito gentil abriu a porta de traseira e disse "sobe lá amigo". 
Chegando no centro, comecei a andar pelas ruas e, conversando com algumas pessoas, descobri que tinha um abrigo próximo dali. Me dirigi até esse abrigo e o pessoal lá me disse que o café da manhã era só as 7. Fique lá na frente esperando e então consegui comer 1 pão e um copo de café com leite. 
Depois disso, fui até uma praça que tinha próximo dali. Lá haviam muitos moradores de rua, me juntei a eles e começamos a conversar, contei minha história, eles me contaram a deles, estava um papo agradável. E então apareceu um cara e uma mulher em uma van, ele começou a distribuir pão e suco para todos que ali estavam, inclusive eu. Mais uma vez eu senti na pele o quanto é importante e significante, o trabalho caridoso dessas pessoas. Me emocionei muito mas me seguirei, não queria demonstrar fraqueza emocional a ninguém ali. 
Passado algum tempo, comecei a andar pela cidade em busca de algum trabalho pra fazer, mas infelizmente não encontrei absolutamente nada. 
E então, a noite chegou. Fui para o abrigo a procura de um lugar para dormir, mas o que eu não sabia é que tinha hora para entrar, se passasse da hora, já era. Então comecei a andar pela cidade atrás de um bom abrigo. Tenho alguns conhecimentos de sobrevivência na selva, então eu tive uma boa noção, encontrei um bom lugar abrigado do vento, e para minha sorte encontrei alguns jornais e papelões. Consegui passar a noite bem, para as minha condições atuais, eu diria que até fiquei confortável. O lugar onde fiquei era uma brecha de um prédio, o lugar era perfeito, um pouco escondido e eu não ficava muito exposto a possíveis agressores. 
No dia seguinte, eu perguntei a algumas pessoas qual era a distância até santos. A maioria me disse, "mais ou menos uns 50 km". Não é muito para se andar, estava disposto, porém eu saberia que teria problemas para passar pela serra e pelos túneis. Ainda mais no estado em que eu estava, com pouca energia, e com muita fome. Então eu resolvi recorrer ao extremo. Comecei a pedir dinheiro as pessoas na rua, para poder pagar uma passagem de ônibus pra Santos. Eu me deparei com muitas pessoas arrogantes, mas também me deparei com muita gente de bom coração e gentil. Em um certo momento sentei em uma mureta, e um motoqueiro parou a moto e sentou ao meu lado. Começamos a conversar, ele me perguntou o que eu estava fazendo ali e eu lhe contei minha história. Então para minha surpresa, ele me relatou que também já esteve na rua, e que também já havia sofrido muito. Ele me deu muitos conselhos, e sem eu pedir, ele tirou uma nota de 5 reais do bolso e me deu. Ele disse: Pegue esse dinheiro aqui, eu sei que vai te ajudar. Só não lhe dou mais, porque eu realmente não tenho. 
Aquela atitude me emocionou e meus olhos lacrimejaram. Agradeci muito a ele, conversamos por mais alguns minutos e então tomamos nossos rumos.
Depois disso, eu fui até a rodoviária para pedir dinheiro para passagem as pessoas, muitos ajudaram, mas a atitude de uma família me comoveu muito. Só falta 10 reais para a passagem, e todo mundo ali a minha volta torcendo para eu conseguir o dinheiro. Uma mulher pegou suas ultimas moedas e me deu, e então, uma família de 1 casal e 1 filha começou a contar as moedas que eles tinham, e eles me deram. Me disseram, "vai la comprar sua passagem que o ônibus já vai chegar". 
Corri até a bilheteria e comprei, para minha surpresa, aquele casal pegou o mesmo ônibus que eu, mas infelizmente sentamos distantes. Quando cheguei em Santos, na rodoviária, agradeci muito a eles, e a filhinhas deles me deu tchau, tão linda :). Aquela família me emocionou muito, mas muito mesmo, acho que nunca me esquecerei daquela cena, eles contando as moedas para me ajudar. Um ato puro, de pessoas boas. 
Alias a maior lição que tirei de tudo isso, foi que existem pessoas ruins no mundo sim. Mas existem MUITO mais pessoas boas. 
Eu digo isso porque senti na pele a bondade humana, não foram só essas pessoas que citei acima que me ajudaram, muitas outras também me ajudaram. Não só com dinheiro, mas com comida, com uma palavra de motivação, de muitas formas. 
E se alguns de vocês que me ajudaram naqueles dias, estiverem lendo esse texto, quero que saibam que eu nunca esquecerei de nenhum de vocês. E o que vocês fizeram por mim, com certeza voltará em dobro a vocês, se é que já não voltou. :)

Mas minha experiência não acabou por ai não. Quando cheguei em Santos, não sabia para onde ir, e então resolvi perguntar pro pessoal onde é que eu poderia conseguir um abrigo para ficar. Eles me disseram que eu deveria esperar anoitecer e depois ligar para a Guarda Municipal, que eles me levariam ao abrigo. Depois das 6 horas, liguei para a guarda, eles me levaram até o abrigo. A assistente social estava lá, e me disse que eu poderia ficar até segunda, depois, teria que ir conversar com outra assistente, para explicar minha situação e garantir um lugar no abrigo, assim como obter ajuda.
Entrei no abrigo e uma mulher me abordou, pediu meu dados, RG, etc. Logo após o cadastro, eu passei por uma revista de um GM, em seguida recebi um kit de higiene pessoal, e alguns minutos depois fui jantar. Finalmente, comida! rsrsssrs
Depois fui tomar banho, na água fria, e com mais 2 caras ao meu lado tomando banho também. kkkk me senti no exército naquele momento. A moça me designou um numero, que era o numero da minha cama. 
O lugar era QUENTE, abafado, o colchão cheirava mal, e o pior de tudo, tinha mais 3 estranhos comigo no quarto, pessoas que eu nunca vi. Obviamente eu não consegui dormir direito né. No dia seguinte, desci até o saguão, que é um lugar onde você pode ficar , tem uns banco e uma tv. Antes de sair do abrigo, as pessoas tem direito a tomar mais 1 banho e 1 café da manhã. Eu com certeza fui tomar outro banho né. Agora você imagina aquela água fria, logo cedo 6 horas da manhã. Vou te contar, se eu não estava acordado, naquele momento eu despertei até o ultimo fio de cabelo. 
Tomei meu café, conversei com algumas pessoas, e peguei afinidade com um rapaz que tinha mais ou menos minha idade. Ele sugeriu que fossemos a praia, dar uma volta. Ele era um andarilho que já havia rodado por muitas cidades e estados. Fomos até a praia, era tipo uns 7 ,8 km pra ir e pra voltar. 
Chegando lá avistamos um monte de gente montando barracas, ai me veio a ideia de sair perguntando se alguns desses caras estavam precisando de ajuda, O colega que estava comigo topou e, logo no primeiro que perguntamos demos sorte. Ajudamos ele a montar a barraca, e passamos o dia com ele ajudando no comércio dele. Ele disse que iria arrumar um emprego pra nós 2, que ele conhecia muita gente na praia, etc. 
Infelizmente, eu só estava com a roupa do corpo, a noite eu lavava ela, mas não dava tempo de secar. Então o dono da barraca na praia me trouxe umas roupas, mas infelizmente não serviam em mim. Isso me fez pensar na minha situação atual. 
Eu estava ali, sem roupas, sem calçados, sem absolutamente nada. Mesmo com um emprego, não iria conseguir, Foi então que resolvi voltar, a saudade das pessoas que eu amava também influenciou muito, e ai acabei voltando pra casa. 
As vezes eu me arrependo, e me da uma vontade imensa de voltar pra lá. Com certeza eu ainda farei isso novamente. Mas dessa vez, vou tomar mais cuidado para não ser roubado, e vou mais preparado. 

Bom pessoal, eu contei minha experiência resumida, se eu fosse contar todos os detalhes, acho que daria um livro. 

Eu não me arrependo de ter passado por tudo que eu passei, isso me fez evoluir como ser humano, e hoje, sempre que eu posso eu ajudo ao próximo, porque eu sei o quanto é importante a sua ajuda para a pessoa que está recebendo. Se você se sente bem ajudando alguém, multiplique isso por 10, e você terá uma ideia de como se sente alguém que, realmente está passando necessidade e recebe uma ajuda.

Desculpem pelos eventuais erros gramaticais, não domino perfeitamente a língua portuguesa. Espero ter conseguido passar o que eu senti quando escrevi esse texto, e espero que vocês tirem algo de bom dessa minha experiência assim como eu tirei. 


Ainda tenho muito a relatar, já passei por muita coisa. Aguardem por novos relatos.